O relogio marca 22:58h.
O pequeno dorme à muito, ele deitou-se à pouco.
Despedimo-nos com beijos dificeis de adjectivar. Tem sido assim. Não sei há quanto tempo, mas sinto que é há tempo demais.
Parece que enquanto aprendemos a ser pais fomos desaprendendo a ser casal.
Acho que o amor continua todo cá. Mas falta qualquer coisa. Não, tenho de ser justa, faltam muitas coisas. Falta a cumplicidade, o riso solto, falta o mimo a despropósito, a conversa sem tempo, o sexo alegre. Depois penso que algumas delas nunca tivemos...
E penso no Francisco.
O que me falta, hoje, com o Lucas, sobrava com o Francisco. A cumplicidade que encandeia tudo à nossa volta, o meu sorriso a que deu um nome, o mimo a despropósito, a conversa, o sexo.
Quase perdi a conta aos anos que passámos a empurrar-nos. Um contra o outro, um contra outros e outras, para perto, para longe. E sempre sem nada mudar. Nem a cumplicidade, nem o sorriso, nem o mimo, nem a conversa. O sexo não sei.
Eu estou casada, ele continua sozinho. Ou melhor, solto. E eu solto-me também, quando falo com ele.
Se estou onde escolhi estar, porque me apetece estar onde não estou?
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment